B2B no Shopify: catálogos, preços por cliente e encomendas de empresa sem sair da loja

Capa do artigo sobre B2B no Shopify, com preços por cliente na mesma loja

Uma salsicharia de Vinhais vende alheiras a particulares na loja online e, ao mesmo tempo, a trinta restaurantes e mercearias que encomendam por WhatsApp, por email e, às vezes, por telefone à sexta à tarde. Cada encomenda dessas é copiada à mão para a faturação, com o preço de revenda que está numa folha de Excel que só uma pessoa sabe onde está. Se a cena lhe soa familiar, este artigo é para si: desde abril de 2026, o Shopify tem em todos os planos ferramentas nativas para vender a empresas dentro da mesma loja, com preços por cliente, quantidades mínimas e condições de pagamento. Vamos ver o que fazem, onde param e como se montam.

O que é o B2B nativo do Shopify

Durante anos, o B2B no Shopify era território exclusivo do Shopify Plus, e as lojas mais pequenas desenrascavam-se com apps ou com uma segunda loja. Isso mudou. O B2B nativo assenta em cinco peças que já estão no painel de qualquer loja, incluindo o plano Basic descrito na página Sobre o Shopify.

A primeira são as empresas: em vez de um cliente solto, cria um perfil de empresa com NIF, morada de faturação e as pessoas autorizadas a comprar em nome dela. Cada empresa pode ter várias localizações, útil para um grupo de restauração com três casas que recebem em moradas diferentes mas faturam à mesma entidade. A segunda peça são os catálogos: uma lista de produtos com preços próprios, que podem ser uma percentagem abaixo do preço de retalho ou valores fixos por produto, com regras de quantidade (mínimo, máximo e múltiplos, por exemplo caixas de 6) e preços por volume, em que o preço baixa a partir de certa quantidade. A terceira são as condições de pagamento: imediato, a 15, 30 ou 60 dias, com lembretes automáticos e cartão guardado para cobrar na data. A quarta são as encomendas por rascunho, em que a sua equipa cria a encomenda em nome do cliente e envia para aprovar. A quinta é o portal do cliente: a empresa entra com a conta dela, vê os seus preços, repete a última encomenda com um clique, junta o número de ordem de compra e acompanha as entregas.

Tudo isto funciona numa loja só, misturada com o retalho: o mesmo produto mostra 12,90 € a um particular e 8,40 € ao restaurante autenticado. Ou, se preferir, numa loja B2B separada.

O que o Basic permite e o que fica para o Plus

Consultado em setembro de 2026 no centro de ajuda da Shopify, o quadro é este: Basic, Grow e Advanced têm empresas, localizações, condições de pagamento, regras de quantidade, preços por volume, encomendas por rascunho, reencomenda, número de ordem de compra, permissões de vendedores, tema Trade e Shopify Flow com objetos B2B. A diferença principal está nos catálogos: nos planos não Plus pode ter até 3 catálogos ativos, atribuídos através de mercados B2B, enquanto o Plus tem catálogos ilimitados e atribuição direta a cada empresa ou localização.

FunçãoBasic, Grow e AdvancedShopify Plus
Catálogos B2B ativosAté 3Ilimitados
Atribuição de catálogosPor mercado B2BDireta a empresas e localizações
Condições de pagamento e cartão guardadoSimSim
Depósitos e pagamentos parciaisNãoSim
Checkout contextual por mercadoSó no AdvancedSim
Portal do cliente e reencomendaSimSim

Na prática, três catálogos chegam para a maioria das PME: um para revenda pequena (mercearias, lojas de bairro), um para grandes contas e um para parceiros especiais. O que não consegue fazer fora do Plus é dar um preço diferente a cada uma de cinquenta empresas. Se o seu modelo é esse, ou se precisa de pedir sinal em encomendas grandes, o Plus entra na conversa. Para o resto, o plano que já tem chega.

Três casos portugueses típicos

O produtor alimentar. A salsicharia do início vende ao público e a restaurantes. Cria um catálogo “Restauração” com 35% de desconto sobre o retalho, mínimo de 6 unidades por referência e preço por volume a partir de 24. Os restaurantes entram com a conta deles, veem os preços de revenda, encomendam em caixas e pagam a 30 dias. As encomendas caem no mesmo painel que as do retalho, com a mesma gestão de stock, e vão para o mesmo sistema de faturação. É um caso que conhecemos bem da Bísaro, e o ganho maior não está no preço: está nas horas de sexta à tarde que deixam de ir para copiar encomendas.

A marca de vestuário. Uma marca de streetwear do Porto vende online ao consumidor e a vinte lojas multimarca. Cria um catálogo “Retalhistas” com preços de compra fixos por produto (não uma percentagem, porque a margem varia por peça), mínimo de encomenda por tamanho e a coleção nova visível só para as lojas antes do lançamento público. As lojas fazem a pré-encomenda no portal e a marca sabe quanto produzir antes de mandar para a fábrica.

O distribuidor. Uma empresa de Viana do Castelo que distribui produtos de higiene para clínicas e lares tem uma tabela de revenda com escalões: até 500 € ao mês um preço, acima disso outro. Faz dois catálogos, atribui cada cliente ao mercado certo e usa as condições de pagamento a 60 dias que já pratica. Os vendedores criam encomendas por rascunho durante a visita, no telemóvel, e o cliente aprova por email.

O fluxo de uma encomenda B2B, passo a passo

  1. Cria a empresa no painel (Clientes, Empresas), com NIF, morada de faturação, localizações e o contacto principal. Pode pedir aos clientes que se registem por um formulário e aprová-los à mão.
  2. Cria o mercado B2B e o catálogo com os preços e regras de quantidade, e atribui a empresa a esse mercado.
  3. Define as condições de pagamento e o método: cartão no checkout, transferência com fatura, ou pagamento a prazo.
  4. O cliente entra na loja, vê os preços dele, encomenda (ou repete a anterior) e junta o número de ordem de compra.
  5. A encomenda aparece no painel como qualquer outra. A app de faturação emite a fatura com o NIF da empresa e o stock é abatido.
  6. Se o pagamento é a prazo, o Shopify envia lembretes e, se houver cartão guardado, cobra na data.

Faturação e IVA sem sustos

Em Portugal, uma venda a uma empresa exige fatura com o NIF do comprador, emitida por software certificado. O Shopify não emite faturas certificadas, por isso a peça que fecha o circuito é uma app de faturação ligada à loja, como o Moloni ou o Vendus, que lê a encomenda, emite a fatura e a comunica à Autoridade Tributária. O NIF fica guardado no perfil da empresa e no campo de identificação fiscal da localização, e passa para a fatura sem ninguém ter de o escrever. Para vendas a empresas de outros países da União Europeia com número de IVA válido, a Shopify permite marcar a localização como isenta, e a fatura sai com a menção de autoliquidação. Confirme estas regras com o contabilista antes de ativar, porque um erro aqui repete-se em todas as encomendas.

Nas contas, lembre-se de que as comissões de pagamento também existem no B2B: uma encomenda de 1 200 € paga por cartão num plano Basic custa 1,8% mais 0,30 €, ou seja, 21,90 €. Para encomendas grandes, a transferência bancária com pagamento a prazo costuma ser mais barata e é o que a maioria dos clientes empresariais espera. A calculadora de margem ajuda a ver o que sobra em cada linha de revenda depois dos custos.

Quando o nativo não chega

Há três situações em que vale a pena olhar para fora. Precisar de mais de três tabelas de preços sem ir para o Plus: uma app de wholesale da App Store, que aplica preços por etiqueta de cliente, resolve, com a desvantagem de o checkout e os relatórios ficarem menos limpos. Querer um catálogo B2B completamente diferente do retalho, com produtos que os particulares nunca devem ver: uma segunda loja Shopify, protegida por password e no plano Basic, custa 19 € por mês e separa tudo. E a integração com um ERP ou com o EDI dos grandes retalhistas, que sai do âmbito das ferramentas nativas e pede um projeto próprio.

Erros comuns

O mais frequente é misturar preços de retalho e de revenda por descuido: um cliente empresarial que não foi atribuído ao mercado certo vê os preços de retalho e liga a reclamar, ou pior, um particular apanha o preço de revenda por um código de desconto mal configurado. Teste a loja com uma conta de cada tipo. O segundo erro é não pedir o NIF no registo da empresa e descobrir na altura da fatura. O terceiro é dar 60 dias de prazo a toda a gente no primeiro dia; comece com pagamento imediato ou a 15 dias e alargue com o histórico. O quarto é esquecer os portes: uma encomenda de 40 kg para um restaurante não pode usar a mesma tabela de envio do retalho, por isso crie perfis de envio próprios para o mercado B2B. O quinto é não avisar os clientes: um portal que ninguém usa não poupa horas a ninguém. Ligue aos dez maiores e faça a primeira encomenda com eles ao telefone.

Perguntas frequentes

Preciso do Shopify Plus para vender a empresas?

Não. Desde abril de 2026, Basic, Grow e Advanced têm empresas, catálogos (até 3), condições de pagamento, encomendas por rascunho e portal do cliente. O Plus acrescenta catálogos ilimitados, atribuição direta por empresa, depósitos e pagamentos parciais.

Os clientes B2B veem os preços de retalho?

Não, desde que estejam autenticados com a conta da empresa e a empresa esteja atribuída a um mercado B2B com catálogo. Sem autenticação, veem a loja como qualquer visitante. Se quiser esconder produtos ou o próprio B2B do público, a loja separada com password é a forma mais segura.

Como emito faturas com NIF para as encomendas B2B?

Com uma app de faturação certificada ligada à loja, como o Moloni ou o Vendus. O NIF guardado no perfil da empresa passa para a fatura automaticamente. Para clientes de outros países da União Europeia com IVA válido, configure a isenção na localização da empresa depois de validar com o contabilista.

O que fica para fazer esta semana

Se hoje recebe encomendas de empresas por email e as copia à mão, tem tudo o que precisa dentro da loja que já paga: empresas, três catálogos, condições de pagamento e um portal onde o cliente se serve sozinho. Comece pelos dez clientes que mais encomendam, crie um catálogo com a tabela de revenda que já pratica, ligue a faturação e meça as horas que poupa no primeiro mês. O resto decide-se depois, com dados.

Se quer ajuda a desenhar os catálogos, ligar a faturação e pôr os primeiros clientes a encomendar sozinhos, fale connosco. Já montámos este fluxo para produtores e marcas do Norte e sabemos onde encrava.

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